quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Momento Literário!

Por esses dias, após o stress de andar várias vezes sob a Barragem do Bacanga (por que depois disso qualquer coisa é moleza!), resolvi ler e escrever algo. Eis que, inspirada por Minha irmã Perla Alvez e minhas amigas Cristiane Meireles e Tayná Cuba, escrevi isso que ainda não sei o que é de fato, mas sei que tem doze capítulos!
Ajudem com o título, por que eu também não pensei nisso!


Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é só coincidência!


CAPITULO 1

Era noite em São Luis!
Como todo período de inverno, chovia muito, sentia-se o cheiro de terra molhada no ar, propiciado pela areia que ficava depositada entre as frestas dos paralelipípedos. Era uma das vantagens e desvantagens de morar no Centro da cidade: o calçamento de paralepípedo.
Ele olhava através da janela os pingos da chuva molhando os telhados com estilo colonial. Dias de chuva eram sempre úmidos. Em especial para ele, esses dias sempre traziam uma sensação ruim, de solidão e tristeza. O silêncio que vinha da casa foi quebrado quando ouviu um apito: era a chaleira. Nada melhor do que um chá quente para espantar o frio do inverno.
Tomar chá tornou-se um habito para ele, desde que começou seu relacionamento com Tayná. Ela adorava tomar chá com biscoitos quando chovia e ele adorava agradá-la. Enquanto preparava seu chá lembrou-se de como a tinha conhecido: Era Março e como chovia!
Apesar de chover todo santo ano na cidade, as pessoas ainda teimavam em não sair com seu equipamento e segurança nesse período: um bom guarda-chuva. E ele não era diferente, havia-o esquecido na Biblioteca Pública Benedito Leite, provavelmente estava no guarda-volumes saíra com tanta pressa que nem ao menos se lembrou dele, mas a culpa também era do tempo, pensava, afinal quando saiu à porta da BPBL, o sol estava ali, a mostra. No entanto, quando começou a caminhar, cruzando a Praça do Panteon, atravessando a Rua Rio Branco, até a Praça Deodoro, descendo para a Rua do Sol. O tempo então mudou, começou a nublar e antes que houvesse avistado a livraria, o temporal desabou. Chegou quase encharcado dentro da Livraria Athena e sem levantar a vista percebeu que esbarrara em alguém, instintivamente ele disse:
_ Desculpe, eu não lhe vi! Perdoe-me. – Ao levantar os olhos para a pessoa com a qual havia dado o “encontrão”, enquanto a segurava para que ambos não caíssem, tamanha força do contato viu uma bela mulher. Sua pele amendoada, olhos e cabelos pretos, esses amarrados em um coque bem alinhado. Suas belas mãos, finas e delicadas, seu corpo esguio, seu belo porte, o deixaram naquele instante extasiado, saiu de nossa realidade, só percebia ela no ambiente, mas foi tirado de seu transe, por uma voz doce, suave, no entanto firme, dizendo:
_ O senhor é louco? Acaso não me viu aqui? Poderia ter-me machucado sério, sabia? – Olhava ela para ele indignada.
_ Desculpe-me novamente. A culpa é da chuva, ela veio sem aviso, corri para me abrigar! – Ele disse. _ Prazer, meu nome é Carlos! – Rindo, meio sem graça pelo acontecido e estendendo-lhe a mão.
Ela olhou para sua mão e para seu rosto e um pouco reticente apertou-lhe a mão dizendo: _ Não sei é um prazer para o senhor, mas levar esbarrões não fazem parte do meu itinerário. Meu nome é Tayná.
_ Você gosta de música? – Ele perguntou.
_ Não, não gosto, na verdade eu amo música, estudo Violão Celo na Escola de Música, lá na Praia Grande. Conhece?
_ Sim conheço. Moro por aqui, conheço tudo nesses arredores. Do Monte Castelo à Praia Grande...
_ Mas porque me perguntou? Como percebeu que eu “gostava” de música? – Ela disse.
_ Pelo caderno em sua mão. E pelo livro na outra. Se interessa pela História da Música Erudita?
_ Sim. E o Senhor? – Ela rebateu.
_ Um pouco. Prefiro, na verdade, Roberto Carlos. Sofro até um preconceito por isso. – Ele disse.
Era a primeira que vez riam. E ao ouvir seu sorriso, ele se encantou mais ainda por ela.
_ Bem, acho que devo me redimir com você. E para isso eu vou pagar seu livro, está bem? – Ele disse.
_ Desculpe, mas não posso aceitar. – Ela respondeu.
_ Por favor, não vou conseguir me sentir bem se eu não puder fazer esse gesto de boa vontade. Além do mais também vim comprar um livro, então...?
_ Tudo bem então, mas só pra ver se você me deixa em paz! – Ela disse sutilmente, soltando outro sorriso.
_ Psiu!!! – Ele chamou a atendente. _ Querida, bom dia. Você poderia me dizer me minha encomenda já chegou. – Dizendo isso, ele passou um pedaço de papel para ela, que prontamente, sorriu e acenou com a cabeça, dizendo: _ Vou verificar, só um instante. – Disse ela se afastando. Dali a alguns instantes, a atendente trouxe alguns livros, colocando-os sobre a mesa. Logo começou a fazer o calculo, dizendo:
_ São R$ 250,00.
_ Coloca mais esse – tirando o livro das mão da mulher a sua frente – E passa no cartão, muito obrigado. – Disse ele retirando um cartão de crédito da carteira e entregando à atendente.
Enquanto a atendente se afastava, os dois ficaram em silêncio. Ela se encaminhou a seção de Artes, observando os livros atentamente. Pela primeira vez, dentro daquela livraria ele não iria fazer um tour pelas estantes. Tinha algo melhor pra olhar do que os livros. Ele foi se aproximando dela e começou a puxar assunto enquanto fingia se interessar por um livro qualquer que ele retirou da estante.
_ Depois daqui você vai fazer o quê? – Ele perguntou.
_ Vou encontrar com uma amiga que trabalha no Museu aqui em baixo e vamos juntas almoçar. Isso se a chuva para não é? Afinal, por causa da chuva alguém pode me dar uma outra ombrada, não é mesmo? – Disse ela, ironizando.
_ Eu posso me convidar para esse almoço? – Ele falou. Era a primeira vez que ele dava uma de oferecido.
_ Bem, você pode até ir. Mas eu não vou pagar o seu almoço, viu? Nós vamos almoçar lá na Praia Grande, em frente a Padaria do francês, sabe onde fica? – Ela perguntou.
_ Sim, eu sei. Vou descer com você e lhe faço companhia até o Museu, está bem? – Nesse momento, a atendente veio com duas sacolas, entregam a ele, junto com a nota e o cartão. Ele sorri, agradecendo.
Ele põe a mão nas suas costas, sentindo sua pele ligeiramente fria sob a blusa de alça cinza com uma rendinha no decote. Sentiu-se indelicado, mas não pode deixar de notar seu colo, era muito bonito. Foi absorvido novamente por ela, não percebendo que estavam andando em direção ao Museu Histórico e Artístico do Maranhão.
Ao chegar em frente ao MHAM foi trazido de volta à Terra por uma voz conhecida que, ao vê-lo, sorriu dizendo:
_ Carlos, a quanto tempo, heim? – Ela falou.
_ Cris? Não pode ser. É você mesma? – Ele Exclamou.


Em Breve... CAPÍTULO 2!



quarta-feira, 22 de junho de 2011

As invenções humanas e a criatividade divina!

Estava outro dia, outro dia mesmo com minha amiga Cristiane, na UFMA, discutindo com outro amigo nosso de curso, Maílson, acerca de como estão ficando, no mínimo, extremo a relação sexual entre os seres humanos. Os esteriótipos que aprendemos a querer e desejar estão ficando cada vez mais em extinção e, em contrapartida, estar dominando um tipo de homem, digamos, mais sensível.

Segundo algumas mulheres (podem ser chamadas de meninas, mas elas não gostam, portanto, a partir dessa perspectiva, você percebe que ainda não chegaram nos 30 anos!), esse homem seria o tipo ideal. Não posso afirmar com certeza se seria o mesmo tipo ideal utilizado por Max Weber, nem se ele se interessaria pela temática, ou seja, ficar em uma mesa de bar e falar de homem a cada intervalo de assuntos diversos, como política, Economia, Sáude, entreterimento, esportes (pois é, ao contrário do que muitas pessoas pré-conceituosas costumam crer, mulheres falam de outros assuntos que não só homens).

Ao falar do homem másculo, aquele típico dos anos 80 que, como o Homem Mosca, cuspia ácido de tão macho é, semdúvida alguma, um animal raro e em extinção. E o pior: não se reproduziram. Assim como  os gremlins que ao pegar um pouco de água no fofinho original dava inícioa uma cadeia de eventos que desencadiaria naquelas criaturas bizarras, porém com um charme único deles, deixando um vazio existencial. Dizia um professor meu (Adroaldo Almeida) que "os homens entraram em crise quando as mulheres entraram em crise". Essa hipótese levantada pelo mesmo dava conta do fato de, tendo tudo que anteriormente seria gerido pelo provedor da casa, ou seja, o homem, a mulher já não precisa mais dele financeiramente falando e para as outras coisas de que se precisa um homem, ou seja, sexo, nos tornamos mais exigentes.

Queremos sentir prazer, gozar, nos divertir no ato. Que seja um ato em dupla e não sozinho, que só um curte o que rola (ou rôla, que seja! O verbo não muda o prazer.). Afinal, se fosse pra fazer sozinho, tem punheta, siririca e consolo pra isso mesmo! Como sintetizam os Velhas Virgens,

Mas com essa timidez
Só o que rola entre nós
É siririca baby
Siririca baby
A gente se come com os olhos
Não rola nada
Só bronha e siririca


O homem, com o seu papel de provedor, de machão, de bom de cama (mesmo sendo uma merda, pois ao que parece o cronometro masculino conta qualidade por qauntidade. Uma pena!), sendo invertidos, entrou em crise. Passou a tentar entender as mulheres, uma dupla furada para ele, posto que, fazendo uma enquete com o público-feminino de amostragem dos corredores de história da UFMA constatou-se que,
  1. Nem as mulheres se entendem!
  2. Não rola um único pensamento que seja unânime entre elas: de arcabouço teórico e operacionalização da teoria na sua prática historiográfica a tipo de homem e posição sexual, elas diferem em opções, que por sinal são múltiplas (mais a segunda do que a primeira, por sinal!).
  3. Se eles fizessem conosco só o que eles gostam e não o que eles querem, como memninos mimados e/ou sem imaginação já ajudaria também!



Está dado aqui somente algumas dicas de como operacionalizar com esse conceito homem/mulher nos dias atuais, bem como um aceno de saudade e volte logo! pros antigos modelos de homem.

sábado, 21 de maio de 2011

OLHOS DE COBIÇA: a coisificação do ser humano.

Em um mundo, uma existência, em que todos passam seus dias dentro da lógica do consumo, na lógica do ter-para-ser (e se você acredita estar imune a isso, faça um exercício de reflexão acerca do que você tem, do que você quer e principalmente, da necessidade de possuir essas coisas, então você perceberá que, "está plugado" como todo mundo aqui!). Dentre todas essas lógicas, o mecanismo principal utilizado é o desejo, a cobiça, para muitos intríseca ao próprio ser humano.

Os olhos começam que, por mágica, a ter vida e a dominar todos os sentidos. Seu corpo obedece somente aquilo que vê, que toca e que, por conseguinte, acredita concretamente que sente também. Mas esse órgão, talvez, seja o que menos sente e por isso domina os demais. Ainda existem aqueles cujo gosto, para muitos seria peculiar, para não dizer exótico ou até mesmo esdrúxulo.

Os meus, por exemplo, cobiçam a tudo e a todos, estão completamente inseridos, mesmo míopes, na lógica do mercado. Esses todos inserem todos mesmo, apesar de consumir somente os indivíduos do sexo masculino, isso não me impede, nem nunca me impediu de observar uma bela mulher. Mas eles perseguem a quase todo indivíduo e como minha imaginação é demasiadamente fértil, quase sempre o consumo ali mesmo, sem o próprio nem se dar conta e ainda o olho daquela forma. "- Foi bom pra você?" O gosto, assim como tudo que possa ser inerente ao ser humano, é subjetivo. Portanto, os meus são resultado de toda a carga de subjetividade que constitui o meu eu.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A UNIÃO DOS CORPOS: minha rotina diária de andar de ônibus.

Pois é os textos vão nascendo, vão acontecendo e eu vou só escrevendo a partir do que observo durante o dia, a semana enfim, os dias que se sucedem.

Quando as aulas da UFMA começam ou terminam inicia-se um fenômeno que nenhuma as ciências sociais ainda não se debruçaram para tentar interpretar (com exceção da Sociologia/Antropologia que já discutiu um dos aspectos desse fenômeno  ganhando inclusive prêmio por conta!).Talvez quem esteja melhor habilitado para estudar e questioná-lo seria a Física Quântica (meu conhecimento acerca dessa ciência se baseia principalmente na leitura da revista Scientific American), posto que, nem a Física clássica explica já que observa que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar. Mas antes, o efeito descritivo faz-se necessário para observar o fenômeno.

Recapitulando, ao entrar ou sair da UFMA (o processo é, na verdade, bem mais extenso, começando desde o momento que se põe o nariz na porta de casa!), começa algo que pode ser migração ou suplício. Verdadeiras ordas de estudantes andando até o COLUN, o Paulo Freyre, o ponto final do Campus, na expectativa de quê, quando chegarem a adentrar no ônibus, pelo menos consigam se segurar dentro do mesmo, peguem um coletivo menos cheio, por que vazio se tornou um conceito obsoleto dentro do ônibus do campus.

Coletivo, como já mencionado, não consegue mensurar o que ocorre dentro desse percurso da UFMA ao Centro da cidade de São Luis. Amizades, intimidades, são criadas dentro desse espaço, já que ficamos completamente espremidos dentro do mesmo. Certo dia o ônibus ia tão cheio e sem lugar para segura que acabei caindo praticamente no colo de um rapaz de Filosofia. Ficamos colegas, a partir daí, principalmente quando comentei que, o motorista como estava dirigindo, forçava uma intimidade entre os passageiros que, talvez, nem nós mesmos quiséssemos. Não havia possibilidade nem de um chopp ou um café e uma conversa antes da gente está tão próximos, ele educadamente riu e eu me apresentei pra não ficar chata a história a que ele pode contar para os seus filhos e netos.

Isso não é exclusividade do Campus, toda a cidade se vê nesse caos do transporte coletivo. As ruas cheias de carros, esgoto e buracos. Os motoristas e principalmente, os passageiros vendo-se obrigados a andar por ruas intrafegavéis. E isso só pra falar do deslocamento. E os benditos DJ's do ônibus e seus MP4, seus telefones, suas caixas do Ching-ling, tocando reggae, tecno brega, brega, forró, rap... E tantos outros ritmos musicais. Nada contra você gostar de um determinado tipo de música, muito menos de ouví-lo, afinal, o ouvido é seu e o gosto idem. Mas forçar um coletivo com 42 lugares sentados e 36 em pé (esssa informação é retirada do próprio coletivo, mas nós sabemos que andam muito mais pessoas dentro de um ônibus!) é uma puta falta de sacanagem, como diria o Emmo revoltado por conta do cancelamento do show do Restart em Porto Alegre. 

terça-feira, 10 de maio de 2011

A COMPRESSÃO DO TEMPO-ESPAÇO NA PÓS-MODERNIDADE: minha vida sendo arregaçada por conta disso.

Esse texto nasceu em um momento de baldeação de idéias, onde eu, assim como todo ser humano, precisava falar sem ninguém pra ouvir. Meu momento solitário particular.


Tenho nesse período de estágio/monografia (será?) me perguntado muito acerca dos meus colegas e de mim mesma. Onde ficamos ao longo do curso de História, onde foi parar o entusiasmo e o interesse em absorver conhecimento e, subseqüentemente, interrogar os professores? Além dessas cadeiras já citadas, venho fazendo também outras atividades acadêmicas que me consomem tempo e neurônios. Nada a reclamar, afinal, se eu entrei em campo, tenho de tocar a bola. Mais as vezes acho oneroso o trabalho e escasso o tempo.

Falando em tempo, começei a assistir aulas de Contemporânea II, pra ajudar uma amiga em dificuldades de estimulo e percebi que, quem acabou ajudada fui eu. Primeiro por que, com a quantidade de atividades consecutivas e paralelas e leitura em todas elas, sofri uma espécie de osmose mental, em que a minha cabeça se enchia de dor, mas de nenhum conhecimento, a absorção tornou-se difícil, ao ponto de eu ler e não entender nada. As leituras da cadeira apareceram como válvula de escape, me ajudando a ler o que eu precisava para a minha monografia.

Acusei minha amiga de está desanimada para ir pra UFMA, mas a verdade é que, ela é só o reflexo de mim, ou seja, percebo nela o que eu tenho passado constantemente. O desânimo, misturado com uma certa falta de sentido das coisas, com o tempo curto, com a idéia de espaço grande, me levaram a um processo de desencantamento completo. Tudo a meus olhos, ultimamente, perdeu o cheiro, o sabor, o interesse até em sair de casa. Sofro hoje um decrescente, onde eu voltei a ser exatamente do mesmo modo que eu era quando entrei na Universidade: reclusa em casa, tímida, etc...

Os problemas que essa tal pós-modernidade impõe ao sujeito, sinto dia após dia. Quando não são as insônias cavalares, que deixam vagando pelos cômodos da casa escura, como um fantasma, a ler e a pensar, em um frenesi de idéias, sou acometida de um sono infantil, que me faz seguir para cama lá pelas 22h, no máximo e acordar as 04 da madrugada, em busca daquele texto que eu tenho de ler ou a escrever aquele artigo que tenho de apresentar ou ainda nos fichamentos para minha monografia.

E isso sem contar com os sonhos. Ah, os sonhos! Eles são quase que todos direcionados a estudo, a estar na Universidade, a estar pesquisando na BPBL ou no APEM. Enfim, nem quando durmo eu descanso. Essa idéia de descanso que tínhamos a algum tempo atrás que, você, hipoteticamente deixava os problemas para serem resolvidos no outro dia no seu trabalho/Universidade/vida não acompanha nossa realidade frenética e intensa, onde tudo fica obsoleto, velho, em uma velocidade incrível. A era do descartável nos coisificou para tornar a nós também, descartáveis e a lógica acadêmica não poderia ficar de fora disso.

O que ocorre agora é que, como Deleuze coloca, essa máquina aqui, está entrando em curto. Volta e meia me vejo a sentir dores nos membros inferiores, peito, que me preocupa mais, pois enfarte é democrático! Não faz distinção de cor, raça nem credo, não perdoa ninguém. Talvez seja falta de lubrificação, talvez seja por que, sendo como um celular com múltiplas funções na mão de um usuário pouco habilitado e habituado a lidar com certas tecnologias, estou usando o maquinário só para coisas básicas, fazendo com que as demais funções deixem de ser executadas e com isso, oxidem, azinavem e enferrujem. O resultado disso pode ser devastador!

Pois é, mas como diria o sábio romanesco historiador pseudo-sociólogo (com todo o respeito!) Bruno Azevêdo*, em seu aclamado romance "Breganejo blues", o mundo é um bicho teórico! O problema é quando você está cansado de tanta teoria e só queria viver a vida com mais calma, uma vida real, sem tantos botões, sem tantos comandos, sem tantas finesis.

Viver uma vida com a certeza da certeza, com a plenitude do concreto, ah que saudade do concreto! Ele foi embora, morto talvez, por algum teórico e nos deixou órfãos nesse mundo sem porteira e por isso sem dono nem direção. Ter o palpável, sem necessitar andar como a um cego sem guia. O que sobrou a minha geração, que seria uma geração de transição entre os ditos modernos e essa do mundo sintomático e até certo ponto doente, da pós-modernidade foi a total incerteza de tudo, a falta de tudo, a perda de tudo. Sinto-me como o primeiro homem que viajou de trem no século XIX, assim como Walter Benjamim descreve, que só observa borrões através da janela, que nada tem a forma concreta e específica de nada, tudo não passa de manchas.

* Para saber mais sobre o que se passa na mente desse brilhante, porém, incompreendido escritor de romances carnais, com molho, salsicha, milho, ervilha, batata chips e queijo ralado, tudo dentro de um pão e uma jesus KS pra acompanhar, acesse: http://bazevedo.blogspot.com/