terça-feira, 10 de maio de 2011

A COMPRESSÃO DO TEMPO-ESPAÇO NA PÓS-MODERNIDADE: minha vida sendo arregaçada por conta disso.

Esse texto nasceu em um momento de baldeação de idéias, onde eu, assim como todo ser humano, precisava falar sem ninguém pra ouvir. Meu momento solitário particular.


Tenho nesse período de estágio/monografia (será?) me perguntado muito acerca dos meus colegas e de mim mesma. Onde ficamos ao longo do curso de História, onde foi parar o entusiasmo e o interesse em absorver conhecimento e, subseqüentemente, interrogar os professores? Além dessas cadeiras já citadas, venho fazendo também outras atividades acadêmicas que me consomem tempo e neurônios. Nada a reclamar, afinal, se eu entrei em campo, tenho de tocar a bola. Mais as vezes acho oneroso o trabalho e escasso o tempo.

Falando em tempo, começei a assistir aulas de Contemporânea II, pra ajudar uma amiga em dificuldades de estimulo e percebi que, quem acabou ajudada fui eu. Primeiro por que, com a quantidade de atividades consecutivas e paralelas e leitura em todas elas, sofri uma espécie de osmose mental, em que a minha cabeça se enchia de dor, mas de nenhum conhecimento, a absorção tornou-se difícil, ao ponto de eu ler e não entender nada. As leituras da cadeira apareceram como válvula de escape, me ajudando a ler o que eu precisava para a minha monografia.

Acusei minha amiga de está desanimada para ir pra UFMA, mas a verdade é que, ela é só o reflexo de mim, ou seja, percebo nela o que eu tenho passado constantemente. O desânimo, misturado com uma certa falta de sentido das coisas, com o tempo curto, com a idéia de espaço grande, me levaram a um processo de desencantamento completo. Tudo a meus olhos, ultimamente, perdeu o cheiro, o sabor, o interesse até em sair de casa. Sofro hoje um decrescente, onde eu voltei a ser exatamente do mesmo modo que eu era quando entrei na Universidade: reclusa em casa, tímida, etc...

Os problemas que essa tal pós-modernidade impõe ao sujeito, sinto dia após dia. Quando não são as insônias cavalares, que deixam vagando pelos cômodos da casa escura, como um fantasma, a ler e a pensar, em um frenesi de idéias, sou acometida de um sono infantil, que me faz seguir para cama lá pelas 22h, no máximo e acordar as 04 da madrugada, em busca daquele texto que eu tenho de ler ou a escrever aquele artigo que tenho de apresentar ou ainda nos fichamentos para minha monografia.

E isso sem contar com os sonhos. Ah, os sonhos! Eles são quase que todos direcionados a estudo, a estar na Universidade, a estar pesquisando na BPBL ou no APEM. Enfim, nem quando durmo eu descanso. Essa idéia de descanso que tínhamos a algum tempo atrás que, você, hipoteticamente deixava os problemas para serem resolvidos no outro dia no seu trabalho/Universidade/vida não acompanha nossa realidade frenética e intensa, onde tudo fica obsoleto, velho, em uma velocidade incrível. A era do descartável nos coisificou para tornar a nós também, descartáveis e a lógica acadêmica não poderia ficar de fora disso.

O que ocorre agora é que, como Deleuze coloca, essa máquina aqui, está entrando em curto. Volta e meia me vejo a sentir dores nos membros inferiores, peito, que me preocupa mais, pois enfarte é democrático! Não faz distinção de cor, raça nem credo, não perdoa ninguém. Talvez seja falta de lubrificação, talvez seja por que, sendo como um celular com múltiplas funções na mão de um usuário pouco habilitado e habituado a lidar com certas tecnologias, estou usando o maquinário só para coisas básicas, fazendo com que as demais funções deixem de ser executadas e com isso, oxidem, azinavem e enferrujem. O resultado disso pode ser devastador!

Pois é, mas como diria o sábio romanesco historiador pseudo-sociólogo (com todo o respeito!) Bruno Azevêdo*, em seu aclamado romance "Breganejo blues", o mundo é um bicho teórico! O problema é quando você está cansado de tanta teoria e só queria viver a vida com mais calma, uma vida real, sem tantos botões, sem tantos comandos, sem tantas finesis.

Viver uma vida com a certeza da certeza, com a plenitude do concreto, ah que saudade do concreto! Ele foi embora, morto talvez, por algum teórico e nos deixou órfãos nesse mundo sem porteira e por isso sem dono nem direção. Ter o palpável, sem necessitar andar como a um cego sem guia. O que sobrou a minha geração, que seria uma geração de transição entre os ditos modernos e essa do mundo sintomático e até certo ponto doente, da pós-modernidade foi a total incerteza de tudo, a falta de tudo, a perda de tudo. Sinto-me como o primeiro homem que viajou de trem no século XIX, assim como Walter Benjamim descreve, que só observa borrões através da janela, que nada tem a forma concreta e específica de nada, tudo não passa de manchas.

* Para saber mais sobre o que se passa na mente desse brilhante, porém, incompreendido escritor de romances carnais, com molho, salsicha, milho, ervilha, batata chips e queijo ralado, tudo dentro de um pão e uma jesus KS pra acompanhar, acesse: http://bazevedo.blogspot.com/

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