A verdade era o mito.
Mª de L. L. Lacroix.
Acho que desde a infância ouvi falar da (agora mito) fundação francesa de São Luis e do nosso herói fundador, Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, pai de todo ludovicense. Essa visão foi reforçada através do então ensino fundamental, feito todo em escola pública municipal, pela educação, ouvindo a reprodução do discurso estabelecido e (re)passado aos estudantes por gerações.
Minhas ilusões galicistas foram todas postas abaixo graças aos livros produzidos pela profª Maria de Lourdes Lauande Lacroix, “A fundação francesa de São Luis e seus mitos” e o subseqüente “Jerônimo de Albuquerque Maranhão”. Vale lembrar que o primeiro já se encontra na 3ª edição.
Pensar, historiograficamente, no mito de fundação é, antes de tudo, olhar para dentro de si mesmo. Acredito, a partir da leitura dos textos, que essa prática tenha sido vivenciada pela autora, assim como foi vivenciado por mim, já que sendo ludovicense de nascimento, pressupus ser parte dessa França. Tendo talvez, algum traço ancestral francês.
A autora, como expressão utilizada pelo também prof. Flávio Reis, deu uma “pedrada no espelho”, espalhando os cacos por todos os lados e incapacitando àqueles cuja vida e o trabalho foi dedicado ao culto e a reprodução do mito francês.
Mas, antes de começar a falar mais especificamente do texto, devo começar a discutir como ele se insere na minha trajetória acadêmica. Comecei a tentar fazer a cadeira de historiografia maranhense por três vezes. Da primeira vez, eu fui somente ao início da cadeira (fui indeferida!) onde, ao começar a dividir os textos para seminário o prof. Flávio Soares ao falar do texto da profª Lourdinha, foi comunicado pela turma que já haviam discutido o tema, não sendo necessária uma segunda discussão. Assim o texto foi retirado do programa. Da segunda vez onde, incrivelmente fiquei reprovada em uma cadeira que só tinha um dia, ocorreu a mesma coisa, ou seja, os alunos já haviam discutido o tema.
Nessa minha terceira tentativa (tomara que eu obtenha êxito!), cheguei já perdendo uma aula, mas conseguindo pegar o “bonde andando”, fiquei responsável pelo referido texto, que para minha surpresa, os estudantes dessa turma não haviam discutido ou achavam que precisavam discutí-lo um pouco mais. Ainda bem, pois já havia pensado que existia uma cadeira de especialização em mito francês de fundação e que eu não sabia.
A defesa desse texto se demonstrou deveras difícil para mim. Primeiro, por ser ludovicense e com a leitura dele, as matrizes mentais e a construção desse mito que já havia se formado em mim foi desmoronando a partir da leitura de cada página. A sensação que eu tive, ao terminar de ler e ao ter que defender foi de um mal-estar, um fastio, uma dor de cabeça terrível, mas o pior foi à perda da identidade.
Pois bem, como já havia dito, comecemos o debate dos textos. Eles possuem aproximações bem interessantes, podendo ser elencadas da seguinte forma: o mito fundador, o mítico herói fundador, o discurso explicitado.
O mito francês, sendo criado ou não no início do século XX, mesmo sem ter sido difundido com muita força nesse mesmo século, tendo se intensificado a partir dos anos 80, atropela, principalmente, minha geração. Nós recebemos esse bombardeio dessa construção desse discurso e nós reproduzimos com muito mais afinco e diria até com muito mais convicção. No entanto, nada mais é do que um discurso que causa consolo àqueles que, deixando de ter destaque e poder dentro da administração governamental brasileira cria uma forma de distinção muito característica.
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