quarta-feira, 11 de março de 2015

Momento literário 2


CAPÍTULO 2


Estava descendo a Rua Coronel Collares Moreira, rumo a Rua Nina Rodrigues1. Sua avó sempre dizia o nome das ruas, todos eles, ao debruçar-se sobre a janela, com sua almofadinha, bordada a mãom com suas iniciais. Ela ficava posicionada ali por horas, enquanto Chica fazia todo tipo de quitutes e guloseimas na cozinha.
Ela me dizia os nomes das ruas do Centro, seus segundos nomes, o porque da mudança. Ao recordar de sua mocidade e dos fantasmas que agora a visitavam, lembrava dos tempos de normalista no Rosa Castro, dos rapazes do Centro Caixeiral, dos encontros para tomar sorvete na Sorveteria Elefantinho.
Lembro-me de descer essas duas ruas por onde caminho com ela me dizendo que os nomes da Paz e do Sol, respectivamente, eram mais bonitos que os pomposos, com nomes de homens importantes, já muito esquecidos, da nossa história. Ela nunca gostou de História, dizia que era perda de tempo tentar achar alguma explicação no passado, preferia a Matemática!
Continuo caminhando, até chegar na Igreja de São João Batista. Do outro lado, a Faculdade de Farmácia, com sua escadaria que chora ou algo assim, não me lembro da lenda direito. Do outro lado da rua o prédio, agora azul e branco, com os símbolos maçons que contavam ter sido da família Beckman. Finalmente chego a Livraria Athena! Vim comprar um livro para minha mãe sobre jardinagem, algo que ela tem por hobbie em seu tempo livre.
Começei a andar por entre as estantes e observar as prateleiras, quando percebi que começava a chover lá fora e, de repente, senti alguém simplesmente esbarrando com muita força em mim. Juro que minha primeira vontade foi de xinga a pessoa, mas assim que olhei para ele vi um homem muito bonito. Deveria estar na casa dos 30 anos, com a pele clara, cabelos e olhos castanhos, um sorriso muito bonito, mãos fortes, mas suaves. Para não demonstrar meu interesse imediato por ele disse-lhe, fingindo-me indignada:
_ O senhor é louco? Acaso não me viu aqui? Poderia ter-me machucado sério, sabia?
Depois disso, começamos a conversar amenidades. Ele, para se desculpar me pagou um livro o qual eu estava namorando a vários meses, toda vez que eu ia até aquela livraria, mas ainda não havia comprado por falta de dinheiro. Se apresentou a mim como Carlos e se ofereceu para almoçar comigo. Apesar do meu interesse, sair para comer com alguém desconheçido assim era meio estranho para mim, então me lembrei que minha melhor amiga trabalhava logo lá embaixo, no MHAM.
Caminhamos até lá conversando, quando fui surpreendida por minha amiga que puxou assunto com o rapaz em questão que, ao vê-lo, sorriu dizendo:
_ Carlos, a quanto tempo, heim? – Ela falou.
_ Cris? Não pode ser. É você mesma? – Ele Exclamou.
(...)
_ Pois é, né pessoal. Eu estou aqui. Olá! – Disse-lhes, ao ver os dois em um abraço cúmplice.
_ Oi. – Respondeu Cris. _ É que a muito tempo não vejo esse cara. Onde o encontrou Tayná?
_ Não foi um encontro, foi um ENCONTRÃO! – Disse.
Nesse momento ele soltou um sorriso e começou a explicar a ela sobre o nosso Encontrão. Ao citar que eu havia marcado um almoço com ela, Cris me olha com um olhar que queria dizer: “_ Como?”. Porém, ela me ajudou dizendo que sim, que ela havia marcado comigo e que iamos almoçar em um restaurante na Praia Grande.
Ela sabia que eu amava aquele restaurante, então nos encaminhamos, os três, para a Praia Grande para almoçar, no caminho ela me puxou discretamente para si e perguntou:
_ Você pode me dizer o por que eu marquei um almoço com você e não sabia? – Disse ela. _ Depois eu te explico, viu? – Falei.


1 Os nomes foram tirados do livro de Carlos de Lima.

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