CAPÍTULO 2
Estava descendo a
Rua Coronel Collares Moreira, rumo a Rua Nina Rodrigues1.
Sua avó sempre dizia o nome das ruas, todos eles, ao debruçar-se
sobre a janela, com sua almofadinha, bordada a mãom com suas
iniciais. Ela ficava posicionada ali por horas, enquanto Chica fazia
todo tipo de quitutes e guloseimas na cozinha.
Ela me dizia os
nomes das ruas do Centro, seus segundos nomes, o porque da mudança.
Ao recordar de sua mocidade e dos fantasmas que agora a visitavam,
lembrava dos tempos de normalista no Rosa Castro, dos rapazes do
Centro Caixeiral, dos encontros para tomar sorvete na Sorveteria
Elefantinho.
Lembro-me de descer
essas duas ruas por onde caminho com ela me dizendo que os nomes da
Paz e do Sol, respectivamente, eram mais bonitos que os pomposos, com
nomes de homens importantes, já muito esquecidos, da nossa história.
Ela nunca gostou de História, dizia que era perda de tempo tentar
achar alguma explicação no passado, preferia a Matemática!
Continuo caminhando,
até chegar na Igreja de São João Batista. Do outro lado, a
Faculdade de Farmácia, com sua escadaria que chora ou algo assim,
não me lembro da lenda direito. Do outro lado da rua o prédio,
agora azul e branco, com os símbolos maçons que contavam ter sido
da família Beckman. Finalmente chego a Livraria Athena! Vim comprar
um livro para minha mãe sobre jardinagem, algo que ela tem por
hobbie
em seu tempo livre.
Começei a andar por
entre as estantes e observar as prateleiras, quando percebi que
começava a chover lá fora e, de repente, senti alguém simplesmente
esbarrando com muita força em mim. Juro que minha primeira vontade
foi de xinga a pessoa, mas assim que olhei para ele vi um homem muito
bonito. Deveria estar na casa dos 30 anos, com a pele clara, cabelos
e olhos castanhos, um sorriso muito bonito, mãos fortes, mas suaves.
Para não demonstrar meu interesse imediato por ele disse-lhe,
fingindo-me indignada:
_ O senhor é louco?
Acaso não me viu aqui? Poderia ter-me machucado sério, sabia?
Depois disso,
começamos a conversar amenidades. Ele, para se desculpar me pagou um
livro o qual eu estava namorando a vários meses, toda vez que eu ia
até aquela livraria, mas ainda não havia comprado por falta de
dinheiro. Se apresentou a mim como Carlos e se ofereceu para almoçar
comigo. Apesar do meu interesse, sair para comer com alguém
desconheçido assim era meio estranho para mim, então me lembrei que
minha melhor amiga trabalhava logo lá embaixo, no MHAM.
Caminhamos até lá
conversando, quando fui surpreendida por minha amiga que puxou
assunto com o rapaz em questão que, ao vê-lo, sorriu dizendo:
_ Carlos, a quanto
tempo, heim? – Ela falou.
_ Cris? Não pode
ser. É você mesma? – Ele Exclamou.
(...)
_ Pois é, né
pessoal. Eu estou aqui. Olá! – Disse-lhes, ao ver os dois em um
abraço cúmplice.
_ Oi. – Respondeu
Cris. _ É que a muito tempo não vejo esse cara. Onde o encontrou
Tayná?
_ Não foi um
encontro, foi um ENCONTRÃO!
– Disse.
Nesse momento ele
soltou um sorriso e começou a explicar a ela sobre o nosso
Encontrão.
Ao citar que eu havia marcado um almoço com ela, Cris me olha com um
olhar que queria dizer: “_ Como?”. Porém, ela me ajudou dizendo
que sim, que ela havia marcado comigo e que iamos almoçar em um
restaurante na Praia Grande.
Ela sabia que eu
amava aquele restaurante, então nos encaminhamos, os três, para a
Praia Grande para almoçar, no caminho ela me puxou discretamente para si
e perguntou:
_ Você pode me
dizer o por que eu marquei um almoço com você e não sabia? –
Disse ela. _ Depois eu te explico, viu? – Falei.
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